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-HISTÓRICO SOBRE A MENTIRA,
1° DE ABRIL E AFINS -




*Aqui, o eminente folclorista nordestino Luís da Câmara Cascudo (1986-1898)define alguns termos relacionados com o assunto, extraídos do seu livro: "Dicionário do Folclore Brasileiro"

MENTIRAS. As estórias mentirosas, pilhérias, anedotas, casos estupefacientes, inverossímil sucesso, são muito populares e constituem um gênero especial, onde a imaginação exagerada e livre se liberta dos limites da lógica. Todos os países têm as figuras clássicas e locais. Certas classes sociais gozam do velho privilégio universal de fornecedores na espécie, caçadores, pescadores, viajantes (Fernão Mentes? Minto; Fernão Mendes Pinto " de longas vias, longas mentiras ", À beau mentir qui vient de loin). Os romanos dizíam que os habitantes de Crotona eram profissionalmente mentirosos ("Sin autem, urbaniores notae hominis, sustinetis semper mentiri, recta ad lucrum curritis," Petrônio, Satyricon, CXVI) e os gregos afirmavam o mesmo de Creta (au pays des Crótois menteurs, Antthologie Grecque, n.° 275, epigrama de Getulicus, contemporâneo do Impe-
rador Vespasiano, ed. Garnier, 68, Paris, s. d., vol. 1.°). Há cidades imaginárias ou reais que se tornam famosas pela estu-
pidez, ignorância ou fatuidade de seus moradores; na Inglaterra, Norfolk, Pavencey, no Sussex, Gotham, no Nothigam- shire, Schildburgo, na Alemanha, Schlaraffenland, Cakaygne, terra dos tolos, que vão procurar o sol, ou querem guardar a luz solar armazenada, não sabem contar, não conhecem o galo ou o gato, ete. Figuras incomparáveis de mentirosos impassíveis, como o Barão de Munchhausen. Os norte-americanos denominam a essas estórias de mentiras tall-tales, ou yarns ou simplesmente liars (B. A. Botkin, A Treasure of American Folk-Lore, "Liars, Yarns and Tall-Tales," 490-552, Crown, New York, 1944; Stith Thompson, Motif-Index ou Folk-Literature, V, "Humor of Lies and Exaggeration," 404-412, Bloomington, 1935). As estórias mentirosas, com seus heróis, convencionalmente locais, são índices de um determìnado grau de civilização. Os primi-
tivos e os selvagens não conhecem esse gênero de contos populares. Os motivos, aparentemente regionais, são comum
mente de ampla divulgação européia e oriental. Tanto mais populares quanto mais universais.

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PRIMEIRO DE ABRIL. Dia da mentira, mistificação, enganos. As razões maiores indicam uma origem francesa. Até a segunda metade do séc. XVI o dia primeiro de abril começava o ano. Abril, aperire, abrir. 0 Rei Carlos IX, por uma ordonnance do Roussillon, Dauphiné, em 1564, determinou que o primeiro de janeiro iniciasse o ano na França, daí por diante. Com as conseqüências da transferência de festas e solenidades do Ano-Novo, muita gente ficou perturbada com o desaparecimento das datas tradicionais, retardando entendimento e uso. Por plaisanteries, apareceu uma série de pilhérias, saudações, falsas noticias, convites e presentes no primeiro de abril, como se ainda fosse o Dia de Ano-Bom. Em abril o sol deixa o signo zodiacal de Piscis, e nasceu a denominação de Poissons d'avril porque eles tentavam governar janeiro, que tem o signo do Aquário. Durante o séc. XIX os jornais anunciavam festas, recepções, acontecimentos sensacionais, inexistentes, atraindo a curiosidade ou presença dos crédulos toleirões, furiosamente desapontados, quando verificavam a inexatidão.

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POTOCAS. Mentiras, exageros, patranhas, petas, lorotas. Em Fortaleza, Ceará, no dia 1o de abril, dia da mentira, elegiam o maior potoqueiro da cidade, com o título de "Coronel Comandante  do Batalhão dos Potoqueiros de Fortaleza", fixando a apuração no famoso cajueiro botador, que havia na Praça do Ferreira. As eleições anuais vieram de 1904 a 1920, quando o cajueiro foi derrubado.


"1° de Abril"

O 1° de abril, conhecido como o dia da mentira, parece ter nascido em 1564, quando o rei Carlos IX. da França ordenou que o calendário francës começasse no dia 1.° de janeíro. Até então, o  ano dos franceses começava dia 1.° de abril, data em que se festejava a Assunção da Virgem Maria. A mudança ordenada pelo rei não foí apreciada pela população, que continuou a mandar presentes, felicitações e convites no dia l° de abril, como se ainda fosse o primeiro dia do ano.
Com o tempo, porém, aceitou-se o l.° de janeiro como o primeiro dia do ano. O 1 .° de abril passou, então, a ser o dia de enganar os tolos. Da França, a brincadeira espalhou-se por outros países, transformando-se numa data "oficial" que, em alguns casos, é comemorada no mês de abril  inteiro. Em 1983, por exemplo, a revista mensal inglesa New Scientist publicou, em sua edição de , abril, uma curiosa reportagem sobre a fusão genética do boi com o tomate, "obtida" por cientistas que "batizaram" o invento como o boimate. Era uma brincadeira com os leitores, mas foi tão bem montada que a reportagem acabou sendo reproduzida em algumas das mais importantes publicações do mundo, naquilo que ficou conhecído como um dos maiores "1.° de abril" da história.

(Revista Guia Rural, Almanaque, Ano 3, no 4, 1989)

BOATOS MENTIROSOS FAMOSOS
  • Vera fischer morreu;
  • Fidel Castro morreu;
  • Rodolfo Botino morreu;
  • A mulher de Toni Ramos, Lidiane, estava com Aids;
  • Cláudia Raia estava com Aids;
  • Cláudia Raia teve um caso com Fernando e Roseane Collor simultanemente;
  • Chico Buarque teve um caso com Daniela Mercury;
  • Cissa Guimarães pretendia ser mãe de um filho de Miguel Falabella;
  • Norma Benguell brigou com Glória Pires nas filamagens de "O Guarani";
  • Um parlamentar do PC do B teria pedido um minuto de silêncio, no dia 27 de agosto, no plenário da Câmara, por conta da 'morte' de Fidel Castro.
  • (Folha de São Paulo - Cotidiano, 14/09/97)


    PEGADAS CÉLEBRES
    Aconteceu meio século atrás. No Brasil, a Rádio Record anunciou que traria a São Paulo "o famoso vidente hindu Habby Ali". Publicou até fotos da chegada. Quem sintonizou a rádio, ouviu: "Este ano vai correr muito sangue no país, em todos os matadouros e açougues:'
    A Panamericana inventou outra. O time do São Paulo viajou em excursão. Num domingo à tarde, a torcida ouviu o locutor Geraldo José de Almeida irradiando o jogo contra o Milan. Os italianos davam um banho e o juiz era ladrão. Já estava 8 a 1, quando a transmissão parou por "defeito técnico": Choradeira e brigas de torcedores. Rádios concorrentes e jornais noticiaram. Tudo "primeiro de abril". Geraldo gravou a gozação antes de viajar.
    (Almanaque Brasil, no 1, abril/99)

    Aqui, algumas expressões populares brasileiras sobre a mentira colhidas no livro"Tesouro da Fraseologia Brasileira" do filólogo Antenor Nascentes (1886-1972):
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    Outras expressões populares sobre a mentira colhidas no livro "Dicionário de Provérbios, Locuções, Curiosidades Verbais, Frases Feitas, Etimologia Pitoresca e Citações"de Raimundo Magalhães Jr.

    -CURIOSIDADES SOBRE A MENTIRA-
  • O Centro de Criatividade de Campo Mourão (PR) criou há seis anos o Concurso Pinóquio, que premia o Maior Mentiroso, todo 1° de abril. Um ponto alto deu-se no terceiro concurso, quando Carlos Rodrigues apresentou-se como organizador e anunciou que a brincadeira estava suspensa, porque o Presidente da República tinha acabado de morrer. 0 público começou a se retirar, chocado, quando o apresentador anunciou Carlos como concorrente (Almanaque Brasil, no 1, abril/99)
  • "Os antigos gregos e latinos acreditavam que o hábito de mentir assinalava no corpo de mentiroso uma marca por onde se denunciava o mentiroso. O sinal devia ser no nariz, nos dedos, nas unhas ou na ponta da língua. Nos dentes que ficam negros." (Horácio em Ode a Barina).
  • Urubu: cidade ribeirinha das margens do rio São Francisco, na Bahia, considerada a  a "Terra da Mentira".
  • Segundo o folclore brasileiro, mentir faz a pessoa  ficar com as unhas pintadas de branco.
  • Mentira: nome dado às manchas brancas das unhas.
  • o filósofo francês
    Michel de
    Montaigne
    (1533-1592)
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          e o outro,
    o brilhante
    general e
    estadista
    da cidade grega
    de Tebas,
    Epaminondas (410-362 a.C.),
    destruidor da
    cidade de Esparta
    na batalha de Leuctra.
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    GLOSSÁRIO SOBRE A MENTIRA
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    -MENDAZ; QUEIMACAMPO; GARGANTA, POTOQUEIRO: mentiroso.
    -SINÔNIMOSDEMENTIRA: cascata; potoca; patranha, presepada; leréia; peripécia; patacoada; facécia;
     peta; lorota.
    -MITOMANIA (Dupré): tendência patológica à fabulação consciente. As histórias imaginárias do mitômano são, às vezes, pobres de conteúdo e inverossímeis; outras vezes, pitorescas, bem concatenadas, pelo que induzem à convicção. Observa-se, também, em condição isolada nos indivíduos imaginativos, de mentalidade pueril.

    “A Mentira segundo a Psicologia”
    Mentira - De modo geral, é o falseamento da verdade, utilizada como mecanismo de defesa. Principalmente, na criança, sempre que ela se vê ameaçada de sofrer algum castigo, há o recurso da mentira, a fim de se proteger. Este ato seria uma maneira de agir consciente. Entretanto, há mentiras inconscientes, provocadas pela sugestão ou pela imaginação muito fértil e sem controle. Nesse aspecto, escreve o psicólogo brasileiro Silvio Rabelo: "Na uma espécie de mentira construtiva que tem suas raízes na própria exuberância inventiva da criança. As cenas dramáticas que ela imagina fazendo-se de principal personagem se acham enquadradas nessa categoria de mentiras construtivas. Ainda um curioso fenômeno vem fortalecer a mentira infantil: dita, pela primeira vez, uma inverdade, esta tende a substituir a noção de verdade daí por diante, graças ao processo de auto-sugestão. Assim, a mentira infantil se torna completamente despida de caráter intencional da mentira propriamente dita". O problema da mentira, não apenas na criança como também no adulto, tem preocupado vários especialistas do comportamento humano - psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, criminologistas, sociólogos, etc. -, cada qual fazendo suas pesquisas no seu campo de trabalho, demonstrando, todos, o quanto a verdade  relativa. Como as crianças, muitos adultos mentem por sugestão, medo e até altruísmo, pensando servir uma boa causa, na defesa de alguém. A Justiça está cheia de exemplos dessa natureza, em que juízes são levados a dar sentenças tidas, muitas vezes, como injustas, porque foram mal orientados, com depoimentos de testemunhas ingênuas, sugestionáveis, ou maldosas, além das profissionais. Tal  a importância desse problema, que há uma especialidade, a Psicologia Judiciária, que estuda o testemunho sob os mais diversos aspectos, inclusive experimentais, para apurar os fatores psicológicos que levam ao depoimento falso, orientando os magistrados, promotores e advogados, a fim de se evitarem erros judiciários. Um jurista inglês disse há mais de cem anos: "Os testemunhos são os olhos e os ouvidos da Justiça". Mas ficou provado que os olhos e os ouvidos costumam enganar-se.
    (Dicionário de Psicologia – Valmir Adamor da Silva – Ediouro,1988)

    -TERMOS EXTRAIDOS DO"DICIONÁRIO DE IDÉIAS SEMELHANTES"
    DA EDITORA EDIOURO (1961), ORGANIZADO POR ÉVERTON FLORENZANO-
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    FALÁCIA: engano, erro,falaço, quimera, fábula, peta, patranha, mentira, carapetão, balão, desentendimento, aberração, inexatidão, desacerto, anacronismo, incoerência, inconsistência, contra-senso.
    ENGANO: erro, equívoco, errata, cochilo, deslize, lapso, ato falhado (psicanálise), erro tipográfico, distração, claudicação (fig.), mancada, "fora", fiasco, papelaço, papelão.
    ILUSÃO: alucinação, miragem, visão, sonho, abstração; decepção, desilusão; fantasia.
    FALAZ: enganoso, enganador, ilusório, vão, vazio, quimérico, inverídico, errôneo, insubstancial, improcedente, inexato, inacurado, incorreto, mentiroso; falso, espúrio, postiço, imaginário, de imitação, mimético; falacioso.
    MENTIR: enganar, tapear, iludir, rumorar, carapetar, impingir, induzir a erro, desencaminhar, transviar, embair, iludir, falsificar, adulterar.
    ERRAR: enganar-se, equivocar-se, entender mal, iludir-se.,tomar a nuvem por Juno.
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    OS DEMÔNIOS E A MENTIRA
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    LEVIATAN: Alta dignidade do inferno, pai de toda  fraude e mentira, e muito dado a infundir-se no corpo dos possessos. Dificilmente abandona a pessoa de quem se apossa.

    OROBAS: Grande príncipe dos infernos. Responde sobre as coisas ignoradas do passado, do presente e do futuro. Concede dignidades e empregos. É por excessão um demônio inimigo da mentira e manda em 20 legiões.
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    (Dicionário de Ciências Ocultas Planeta. Parte I- Editora Três)

    Holland FlagNa HOLANDA, segundo a linguagem
    dos gestos, chupar o polegar
    diante de uma pessoa
    significa que ela está mentindo
    ou inventando uma história.
    (Gestos - Roger E. Axtell - Editora Campus, 1995)

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