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"AS POESIAS
DO CIVILICO"
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Aqui, uma foto rara tirada na Escola Justiniano,
onde podemos ver riscado em uma carteira
escolar uma singela poesia do Civilico ainda menino...
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NO EMPÓRIO...
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Quero um copo de jurubeba,
Qui água eu num posso tomá,
pois água é um lugar onde os peixe
Vive a uriná e sujá...
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O PEÃO
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Se o peão é bom ou ruim,
Não há quem não decifre,
Quando a muié sorta o rabo,
O peão é quem leva o chifre.
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TÔ FORA!
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A terra é macia purque a minhoca é mole,
A mata é virge purque a terra é fresca,
A ulcera é nervosa purque a mandioca é brava,
Mai num quero nem sabê purque pimenta é refresco.
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EITA!
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Louva o povo capixaba
A fama de afrodisíaca
Da pinga cum catuaba;
É lorota, acreditem,
Istô aqui prá prová,
Eu já tomei trinta copo
E nada do bicho arriá!
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VICHE!
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A maió alegria da vida
Após sonhá co'a amada,
É encontrá-la sem roupa
Do nosso lado deitada.
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O BOVARISTA
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Oh, fulana soberana!
Oh, sicrana suserana!
Oh, beldade beltrana!
Eu entro com o amor,
E ocê entra co'a grana...
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QUADRINHA
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Foi pro mato colhê erva
E colheu um mata-pau.
Fez um chá e devastô
Sua flora intestinal.
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TROVINHA
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O portugueis inventô
Uma escada obra prima,
Prom óme dessê pra baxo
E as muié subí pra cima.
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PATIFES
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Eu tenhu duas amiga:
A Patty e a Betty Faria,
E eu sei que uma das duas
Um dia me aprontaria,
E si a Betty num fizesse,
Eu sei - a Patty faria.
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INSPIRAÇÃO
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Eu aspiro
Tu respira
Ele transpira
Nóis conspiramo
Vóis suspirais
Eles expira.
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PEÃO
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Eu ganho a vida na sela,
Na arena num perco a estribêra,
No chão num estico o esqueleto,
Quem ganha deitado é rampêra.
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Rala-rala
Eu não gosto desses pedrêro
Que faiz os muro chapiscado
Pois quando eu vorto pra casa beldo
Fico co’o corpo tudu arranhado.
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LATRINAS DA VIDA
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Se comparado ao preto, o branco
Faiz as cagada cum purgante,
O preto na entrada e na saída
O branco, porém, faiz durante.
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TROVINHA
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Gasta-se muito casando,
E muito mais prá desquitá,
Quando se bem sabe: - é de graça
Namorá, ficá, largá...
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O PEÃO
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O arranca-rabo come sorto,
No baile os peão manda brasa,
É mió chamá o seu padre
Prá botá orde na casa.
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Venha correno, seu vigário,
Prá acabá co'essa festa de murro,
Antis esconjuro de padre,
Qui bença de pé de burro.
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MUI AMIGO
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Grande prazer terei um dia
Folheando o semanário,
Ao vê impresso teu nome
Nas página do obituário.
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NO CAIS
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Meu lenço em tua partida
Eu não pude agitá,
Lenço cheio de meleca
Num é possível acená.
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LATRINAS DA VIDA
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Te c. parece um revórve
Quando caga faiz rumor,
É, teu c. tá precisano
De um bom silenciador.
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O PEÃO
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Toca sertanejo, seu moço,
Qui eu danço e saracoteio,
Mai num toca Fio de cabelo
Qui eu tô de saco cheio.
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O POBRE E O RICO
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É triste a vida de pobre
Num nasce rei nem rainha
Pobre só vai pro trono
Quando o trono é o do Chacrinha.
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O paraíso do rico
É só de brincaderinha
Rico só vai pro ceú
Quando pula amarelinha.
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A GULA
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-Que estômago! Parece um avestruiz!
-Prato de nhoque? - Treis... - Que farto armoço!
-Na sobremesa? -Bolo, melancia...
-Que gula! Num tem fundo esse seu poço?
-Se tem... após a sesta pelos sítio
Eu fico de comida até o pescoço...
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-E magro de ruindade esse minino!
Lá no Narcizo, como se abarrota!
Uns coquinhos, treis copo de garapa,
Bananas, macaubas e sapotas.
Antes - um buliçoso saguizinho,
Agora - ébria lesma, e até arrota!
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E, empachado, ele me vem a chorá:
-Oh, qui indigestão! O que faço, mama?!
-Deite lastro, escancare a goela,
Um dia lhe mata essa gula insana!
-Ah, se na goela meu dedo coubesse,
Correno eu comeria uma banana...
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O PEÃO
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Quando vim prá arena do mundo
Não nasci - fui estreante,
Na sala de espera do ventre
Eu já tocava um berrante.
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PROFISSÃO DE FÉ
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Desde neném eu já brigava,
Meu berço prá mim era um ringue,
Meu murro doia mai forte
Qui pedrada de istilingue.
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De leite eu passava batido,
Eu nunca liguei prá água-benta,
Eu fui batizado cum pinga,
E amamentado na pimenta.
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ESSA VÉIA...
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Meu amor diga ao meu sogro
Qui dele eu num tenho medo,
Mai eu corro da minha sogra
Qui a véia num é brinquedo.
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O PEÃO
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Sou um peão bem tratado
Qui da muié nunca recrama,
Peão esperto é qui nem pulga
Espera a comida na cama.
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ÓMI DANADO!
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Eu um pesco cum tarrafa,
Muito menos cum peneira,
Eu só pesco com espora
Prá podê ferrá mineira.
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Eu num caço cum winchester,
Muito menos cum garrucha,
Só sei caçá cum cavalo
Prá podê laçá gaucha.
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ROMARIA
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Todo time tem seu hino,
Todo amor tem sua canção,
Todo povo tem sua música,
Prá lembrá sua nação.
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.Os carioca tem "Andança",
Os minêro tem "Travessia",
Os nortista tem "Disparada",
E nóis temos "Romaria".
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MUI AMIGO II
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Eu num gosto di festa junina,
Nem di noite di São Juão;
Mai o dia quiocê morrê
Ah, eu vô sortá rojão.
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O PEÃO
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Diz assim um velho ditado
Qui ouvi naquela roça:
Se ferradura desse sorte
Burro num puxava carroça.
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Mai tem peão ruim qui crê
Qui seu uso trais bravura,
E quando vai pra arena
Usa quatro ferradura...
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AS MUIÉ...
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O ómi fala bastante
Quando toma umas birita,
Muié sóbria é tagarela
E um monte de coisa imita:
A minina - uma pombinha,
A mocinha - uma matraca,
A casada - uma buzina,
E a véia - uma maritaca...
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MINHA SOGRA
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Minha sogra guarda dinhêro
Escondido naquela obra,
Vai lá, meu burrinho e dá um coice
Na poupança da minha sogra.
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O PEÃO
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Eu sou um peão cuidadoso
Quando chego de madrugada,
Prá num incomodá a patroa,
Vou dormí co'a empregada...
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A COBRA
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A cobra é um bicho honesto,
Num passa a perna em ninguém;
Ainda qui ela quizesse,
Ah, cobra nem perna tem!
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AS MOÇA
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Num mi interessa se ela é coroa,
Mai é as moça qui me anima,
Qui a coroa é água morro abaxo
E as moça é fogo morro acima.
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O PEÃO
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Ganhei tanto carro na arena,
Levo uma vida milionária,
Em festa do peão qui eu passo,
Isvazio concessionária.
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OLHA SÓ A OPINIÃO
DO RANCHINHO...
Em breve, cumpadre, mais poesias do Civilico. Aguarde!
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