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-A seca lá na barrage Hermínio
Ometto esse ano tá terrivel, ocê num acha, Civilico?
-É verdade, Bressan, a coisa tá
feia memo - óia qui eu vi peixe lá cum treis
meis de idade qui ainda nem aprendeu a nadá!
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-Óia, mãe, o papai parece um
pateta, contanu tudu aquelas mintira práquela gente toda.
-Qui nada, meu fio, pateta são aqueles
bando de tolo qui acredita nele!
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-O Nanias, Calciolari, num pode mai tomá
banho di sol lá na igrejinha da Santa Cruiz.
-Pur que, Civilico?
-É só ele deitá, os urubu
vê ele parado e já começa a descê
fazeno circulo cada veiz menor e mais baixo...
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-Zorzo, tô cum berne no braço
e num há jeito de tirá ele daqui.
-Óia, Civilico, conheço uma
simpatia boa pra isso - coloca um esparadrapo cum pedaço di toicinho
de porco no buraco da firida, qui o berne em pouco tempo passa para o toicinho.
Dispoi é só colocá pópatataio.
-Ah, Zorzo,ocê mi discurpa, mai
isso aí num vai adiantá nada!
-Oras, e purque, Civilico?
-Ara, Zorzo, a carne di porco num é
mió qui a minha...
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-Ah, Civilico, ocê nunca mai feiz sereneta
pra mim dispoi qui nóis casamu!
-I ocê já viu, muié, o
caçador piá pra perdiz dispoi qui caçô ela?
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-Contei uma mintira onti a noite pra minha
filha pra fazê ela dormi, Orfali.
-Qui é isso, Civilico, você tinha
qui contar pelo menos uma história da Biblia prá fazer
ela dormir.
-Ah, Orfali, ondi eu ia achá
uma história di mintira na Bíblia?
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-Seu Civilico, mi dissero qui o sinhor manja
pra caramba sobre o clima e o tempo, e qui sabe dizê
si vai chovê ou não. -É verdadi?
-Sim.
-I vai chovê, hoji?
-Vai.
-Inda qui eu mal lhi pergunti, seu Civilico,
como qui o sinhor sabe isso?
-Tá veno aquela nuvem di fumaça?
É sinal di chuva.
-Mai como qui o sinhor afirma isso veno aquela
nuvem qui nem nuvem di chuva é?
-Aquilo são nuvem di fumaça
qui os índio fizero e tão avisano pros outro índio
qui vai chovê...
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O Civilico, para pegar peixes com mais facilidade, estava batendo
um galho de timbó numa pedra dentro do rio, para o seu sumo venenoso
invadir as águas e fazer com que os peixes ficassem imobilizados.
O Pedro Malazartes se aproxima:
-Tá pescando peixes, Civilico?
-Não, eu vou pegar eles com timbó.
-E isso é bom pra peixes?
-Não - respondeu o nosso herói - isso fazi
eles dismaiá...
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Na sala de aula só faltava o Civilico para
a chamada oral sobre o corpo humano.
-Agora é sua vez na chamada, Civilico.
-Pois não, prefessora.
-Me diga quantos tímpanos nós
temos?
-Quatro, prefessora.
-Como quatro, Civilico? -perguntou a professora
surpresa.
-Oras, prefessora, nóis temo quatro
tímpano - dois meu i dois seu...
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O Civilico, acabando de benzer um velho amigo
adoentado as onze horas da noite, dá-lhe
uns conselhos:
-Fica tranquilo,Ferrara, pra mim ocê,
dispoi desse benzimento, ainda vai atingi cem
anos de idade!
-Mai eu vou fazê cem anos daqui uma
hora, Civilico!
-Eu num falei!
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O Civilico resolve pregar uma peça no português
carcamano:
-Pra chegá até aquela pesqueiro
qui eu lhe falei, Manoel, eu tive qui escalá cinco
morro, mai no quarto eu já tava
muito cansado e disisti.
-Mas o que que você fez então,
Civilico?
-Vortei pra traiz...
-Eu faria o mesmo, Civilico.
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-Eu num aguento mai as mania da minha muié,
Geroto!
-Por quê?
-Ela deve tê uns trinta vaso di flor
drento di casa, i eu sou alérgico!
-Oras, mande ela colocar os vasos do lado
de fora da casa.
-Num dá.
-Por quê?
-Eu tenho cinquenta gaiola di passarinho lá
fora...
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-Ai, doutor, eu tô um pouco gordo dimais
pro meu peso. Eu ando comeno dimais da conta as perdiz qui eu caço
.
-E quantas perdiz você come por semana,
seu Civilico?
-Umas trinta, doutor, mai tem semana qui eu
perco controle...
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-Eu sei, Civilico, esse cara é supersticioso
e deve tê um pé-de-coelho muito eficiente - óia só
como ele enriqueceu da noite pro dia?
-Pifff... Sanduiche, esse cara aí é
coisa mandada - ele enriquecu da noite pro dia foi na base do pé-de-cabra...
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O Capitão Setembrino conversa com o nosso
herói:
-Seu Civilico. meu cavalo ouviu no rádio
que iam lançá um livro sobre o sinhor, é verdade?
-Sim, mai foi meu burro qui foi levá
a notícia lá na rádio...
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O Civilico e o Barão de Munchhausen discutiam,
sem que nenhum dos dois desse o braço a torcer, a respeito de quem
tinha pescado o maior peixe.
O Barão cedeu, querendo chegar a um acordo:
-Reconheçerei que peguei um peixe menor
que o seu, se você admitir que eu tenho razão.
O Civilico consentiu, mas insistiu que o Barão
se pronunciasse primeiro.
O Barão mordeu a isca...
-Está bem, seu Civilico, meu peixe
é menor que o seu.
Meneando a cabeça, nosso herói
retrucou:
-O sinhor tem razão, seu Barão...
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-O, Civilico,
o sinhor gosta di castanha sapucaia?
-A coisa é recíproca.
-Como assim?
-Eu num só gosto dela como também
ela gosta di mim.
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-Eu sou um hómi qui só diz verdades,
Marinho.
-Mi discurpa, mai o sinhor tá
mintino, seu Civilico.
-Tá bom, Marinho, eu sou um hómi
qui só diz mintira.
-Agora sim, seu Civilico, o sinhor tá
dizeno a verdade!
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O Civilico quebra um galho pra seu amigo, e fica
cuidando do buteco dele por uns minutos até que ele volte.
Chega um freguês - um forasteiro bem vestido
e com ares de esnobe, que nervoso pergunta:
-O senhor tem toillete por aqui?
E o nosso herói, avesso a frescuras, retruca:
-Óia, moço, tualéti o
sinhor só vai encontrá lá na França. Aqui nóis
só tem migué... Serve?
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A filha do Civilico:
-Paiê, tem um mintiroso famoso lá
fora quereno falá com o sinhor.
O Civilico:
-Vorta lá e diz pra ele que basta,
qui aqui drento nóis já temos um...
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O Civilico, quando moço, com uma de suas namoradas:
-Ah, meu benzinho, seus pézinho tem chero di fruita.
-Qui fruita, Civilico?
-Jatobá...
-Aiiii!
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-Nossa, Buzolin, será qui eu tô
veno dimais?
-Não se finja de bêbado, Civilico,
esse anzol é duplo e eu consegui pegar dois peixes!
-Mai eu tô veno quatro, Buzolin!
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-Seu Civilico, o sinhor num contô nenhuma
mintira hoji.
-I quem disse qui eu minto?!
-Acabô di contá...
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CUMPADRE, EM BREVE A 2a SÉRIE DAS NOVAS PIADINHAS RÁPIDAS DO CIVILICO, AGUARDE!